
Por Daniel Hazan e Lara Goulart, 4º período de jornalismo, pelo site da Agência UVA
Nos Estados Unidos, Bullying é uma ação recorrente cada vez mais comum. Bully (“valentão” em português) é a pessoa que escolhe agredir um colega por esse se destacar de um jeito diferente dos demais, como usar roupas extravagantes, ter aspectos físicos avantajados ou simplesmente por não gostar de olhar para a pessoa. A agressão pode ser física ou verbal e acontece de forma repetitiva, o problema são os distúrbios emocionais desenvolvidos pela vítima que muitas vezes explodem de forma abrupta. Um dos casos mais famosos se tornou o documentário: “Trios em Columbine”, onde os adolescentes por trás do tiroteio afirmaram ser perseguidos e portanto, vítimas do bullying.
Onze anos após o Massacre de Columbine o fenômeno ultrapassa as fronteiras e vem ganhando destaque na mídia brasileira. O caso da cidade de Taiuva em São Paulo em 2004, onde Edmar Aparecido Freitas de dezoito anos feriu oito pessoas e suicidou-se em seguida é o mais trágico no Brasil e é também a situação extremista do bullying, quando a violência é exacerbada. É com essa premissa que o programa Arena Universitária recebeu convidados nessa quarta-feira, 25 de agosto, no campus da Universidade Veiga de Almeida. Entre eles a psicóloga e mestre em Educação, Penélope Duarte, duas estudantes que já sofreram esse tipo de agressão e um grupo de policiais civis que formam o movimento Papo de Responsa.
Para a psicóloga, Bullying é um fenômeno que envolve vítimas e agressores e tem como principal característica justamente a repetição da agressão. Ela também ressalta que nem sempre a vítima é criança ou adolescente, podendo adultos também serem perseguidos por colegas de trabalho. O fato é que quando desenvolvido, os sintomas que se agravam são os mesmos: depressão, baixa auto-estima e afastamento social. Penélope destaca o fato de que atualmente o tipo de bullying mais difícil de controlar é o cyberbullying, quando a vitima sofre a agressão em páginas de mídias sociais, por exemplo. E, quando perguntada pela platéia se existe diferença entre o agressor homem e mulher ela responde que a principal diferença é que o homem tende a agredir fisicamente e a mulher verbalmente, sendo que ambos acabam com a moral da vítima.
“Consegui superar esse trauma”
Jéssica Machado (educadora social)
Ao entrar no bate-papo as estudantes contam à platéia seus diferentes casos e como procuraram ajuda para sanar os traumas que ficaram e afirmam que hoje não sofrem mais com os fantasmas do passado. “Foi uma luta, mas já não ligo para o que passou” completa Sílvia Stein. Elas foram perguntadas se era possível seus pais perceberem traços de agressão e Jéssica levantou um dado preocupante: “Muitas vezes, alunos e professores presenciam o bullying na hora do intervalo mas não fazem nada. A prática de tormento, para a maioria das pessoas é completamente normal e vista como brincadeira de criança.”
Penélope Duarte completa: “Acredito que as escolas têm que abrir um espaço para olhar mais de perto esses casos, para assim, tratar tanto as vítimas como os agressores. Para os pais, fiquem atentos às mudanças de comportamento e alimentação.”
Complementando o assunto “Bullying”, os policiais Roberto Chaves, Wagner Ricardo, Marco Pedro e Magalhães esclarecem algumas dúvidas também sobre o tema “Cidadania” e falam um pouco sobre o Papo de Responsa. Para quem não conhece, a iniciativa surgiu em 2003 como um projeto da Polícia Civil e logo depois ganhou a parceria do AfroReggae. Um movimento que tem como objetivo partilhar experiências e promover um grande debate para a conscientização da população sobre drogas, violência, e qualquer outro papo que venha a surgir, como o bullying.
“Não é natural que uma pessoa faça mal a outra e se sinta bem”
Papo de Responsa
Para eles, bullying é a perda dos limites durante a brincadeira, é a perda da consciência individual e respeito na hora de tratar o próximo. A interação com a platéia começou quando foram perguntados sobre o contato e a preocupação por parte da escola. Quem inicia o contato, o Papo ou a escola? “No começo do projeto nós procurávamos por já conhecer o bullying e atender a essa necessidade. Hoje, o quadro reverteu, a demanda é tão grande que não temos espaço na agenda e isso mostra um começo de trabalho por parte da escola. Mostra que eles se preocupam e tomam essa ação preventiva. Porque esse é um dos nossos princípios, trabalhar com a palavra, pois ela pode fazer a diferença.” E ainda enaltecem a parceria com o grupo AfroReggae. “Eles ajudam o mundo, dão oportunidades de aproximar as pessoas de diversos tipos e classes sociais em um ambiente só”.
Quem quiser saber mais sobre o trabalho do Papo de Responsa pode clicar aqui. Não se esqueçam de acompanhar a matéria completa na TV UVA!
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